A violência e seus contornos

Atualizado: 8 de Jul de 2019



A violência, em seus mais variados contornos, é um fenômeno histórico nas sociedades. Culturalmente construída, a violência possui significados e atribuições diferentes, que dependem do período histórico, cultural ou até mesmo do contexto social em que é praticada. Cada sociedade enfrenta a violência seguindo seus próprios critérios, por isso podemos dizer que quando se trata de ações violentas, as interpretações podem ser realizadas de forma ambígua e relativa.


Para compreender a violência na sociedade contemporânea, é necessário considerar os aspectos sociais, econômicos, religiosos, históricos, políticos e culturais. Tais fatores interferem na construção social dos seres humanos, e também nos processos de significação e ressignificação das atividades e rituais simbólicos. Por isso, podemos dizer que a violência material e a violência simbólica estão totalmente conectadas. Digamos que esse fenômeno se sofistica conforme a sociedade vai se modernizando, e suas cruéis consequências resultam entre danos físicos, psicológicos, morais, culturais e econômicos.


Violência e poder


Baseada no senso comum, a violência é entendida como qualquer agressão física contra seres humanos, cometida com a intenção de lhes causar sofrimento, afetando o meio em que vivem e as relações interpessoais. A ideia de violência está ligada ao conceito de poder e subordinação, refere-se a “um processo relacional, pois deve ser entendido na estruturação da própria sociedade e das relações interpessoais, institucionais e familiares” (FALEIROS, 2007, p. 7). Muitas atitudes violentas são consideradas decorrentes do desejo de exercer o poder, e isso ocorre porque, muitas vezes, as normas estabelecidas para o bem comum são rompidas, afetando a convivência pacífica do mundo das trocas que geram a violência.

Hannah Arendt (1994) entende que a violência abriga em si mesma um elemento adicional de arbitrariedade. Para ela, poder, vigor, força, autoridade e violência seriam simples palavras para indicar os meios em função dos quais o ser humano domina outro ser humano. Neste sentido, a violência exerce uma função de manutenção do poder, até mesmo contra aqueles que são julgados pela maioria.


Numa relação conflituosa, a violência pode ser praticada quando o agressor se vê perdendo o poder, aflorando assim um sentimento de insegurança. Quando dita suas regras e as mesmas não são obedecidas, o agressor sente-se incapaz, ou ainda, deseja obrigar as pessoas a realizar seus desejos. Em se tratando da violência intrafamiliar, por exemplo, as agressões são perpetradas quando não existe mais a possibilidade de diálogo entre os membros da família, e as vítimas muitas vezes são silenciadas pelas agressões. Portanto, a perda da autoridade, que ameaça muitas vezes a masculinidade hegemônica, contribui para as transformações nas tradicionais relações de poder.


É possível combater e ressignificar a violência, muitas vidas dependem de ações conjuntas entre Estado, Organizações Sociais, igrejas e a sociedade civil, para sair da situação de violência e viver uma vida com dignidade!

Claudia Poleti Oshiro

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