Religião, Direitos reprodutivos e Aborto: uma breve reflexão


Falar de religião, direitos reprodutivos e aborto é sempre uma polêmica. Apesar de todos os avanços promovidos pelos movimentos feministas, e a atuação sempre contundente de organizações como Católicas pelo Direito de Decidir e Evangélicas pela Igualdade de Gênero, entre outras, que defendem a ampliação dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, essas vozes infelizmente ficam relativamente silenciadas e são constantemente desqualificadas por religiosos de perfil conservador e fundamentalista que lideram grandes segmentos religiosos e defendem os seus princípios morais como se fossem universais.


Os discursos em defesa da vida que muitos desses atores religiosos fazem encobre um perverso sistema de controle do corpo das mulheres e a instrumentalização da sua capacidade reprodutiva. A manutenção desse domínio se dá não somente via discurso religioso, mas também na criação de barreiras para a ampliação de serviços e políticas públicas voltadas para a conscientização e o cuidado da saúde reprodutiva das mulheres. Hoje, mais do que nunca, e apesar da situação política desfavorável que está instaurada, é mais que necessário promover encontros e formações que nos ajude a pensar juntos/as caminhos de reflexão e construção de rotas alternativas que ajudem as mulheres.


As religiões possuem uma influência significativa na vida das pessoas principalmente no que tange à questão da reprodução. Evoca-se sempre a valorização da família e da maternidade como objetivo de vida único da humanidade e especialmente das mulheres. A cosmovisão cristã, seja ela vias catolicismo, protestantismo e movimentos evangélicos em geral, desde muito tempo, tem apresentado uma significativa força de penetração no que podemos chamar de consciência coletiva que concorda em considerar que existe vida desde à concepção.


Não podemos nos furtar de mencionar que o segmento espírita também coaduna com essa ideia, o que amplia ainda mais os desafios em relação ao tema. Diante disso é importante dizer que não se quer exigir das religiões que elas mudem completamente as suas crenças, porém, as mesmas não devem ser argumento para barrar ampliação de direitos dentro de um Estado Laico.

Priscila Kikuchi

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